Poesia reflexiva de nada serve.
Poesia filosófica de nada serve.
A patética poesia amorosa de nada serve.
O amor não me presta nada.
A filosofia que não é imediata não presta.
Poemas políticos nada dizem,
E
Os dementes poetas carregados de lirismo não vivem.
Poesia social não calha à nada.
Nada de nada serve.
Tudo não serve pra nada
E
A vida presta só para o momento presente,
Porque
A vida de nada serve,
Se finda.
Todos os poemas esdrúxulos
E todos os poetas idiotas
- Já que todos os poetas são idiotas -
Não prestam para nada.
A Entropia
Um dia
Acaba com Tudo
E o Universo ordenado sem sentido nenhum,
Tal qual nossas vidas,
De nada serve:
Existir não tem significado.
Eu,
Como a Arte,
Não presto à nada,
E por isso,
Não me prendo a nada:
Já basta-me ser uma prisão o Universo
E eu um cão
Abandonado na existência psíquica surreal.
Declaro que o Mundo de nada serve!
E
Todos os versos nada dizem,
Até os escritos e os por escrever.
Os vermes ávidos
Que nos comerão
Diante da Eternidade de nada servem.
Para quê tudo,
Já que tudo é nada?
( Toda tentativa patética
De se abraçar o Mundo
De nada serve:
É preciso braços grandes para abraçar o Mundo ).
Ler isto de nada serve.............................................................................!!!!!
Poema de: Frank Leber
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:02 AM
21.7.05
Sobre a Estrada dos Tijolos de Sons
Quero poder pousar sobre o piano,
Que amo,
Meus dedos,
E saborear canções diferentes
Em todos os dias dos meus anos,
Do meu tempo,
Que não se finde cedo.
Eu sentada,
Minh'alma bailando
Numa balada de dança de roda,
Rodopiando feito mundos na escada,
Dançando
Como bailarina espevitada.
( O Universo tornou-se o tom de uma nota,
E a luz foi feita )
Um sorriso morando nos lábios:
Vou tocando a balada da minha vida
Numa melodia jamais ouvida.
Sobre a Estrada dos Tijolos de Sons,
Vou ao encontro da Grande Magia;
E então,
Encontro a Eu.
Poema de: Francine Maria Reis
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:08 AM
19.7.05
Viver
"Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir - é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida. Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção - isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que inperfeitamente somos."
Fernando Pessoa (Livro do desassossego, pg.151)
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
7:58 AM
14.7.05
A Árvore Sem Tronco
Meus poemas são galhos,
Que não são galhos,
Na verdade da metáfora
De uma Árvore Sem Tronco,
Que balançam:
Vêm e vão ao sabor dos ventos dos meus pensamentos
Brincando de Ciranda-de-Rodá-Folhas...
Douradas
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
10:17 AM
11.7.05
Bebedeira Noturna
O Santo Espírito de uma bebida abençoou-me,
De dentro de meu copo para o corpo,
Fazendo rastejar a lucidez coxa.
Causando-me constipações difíceis
E sensações sem sentido
No espírito à beira do balcão difuso
Ungindo-me a alma com a bebedeira.
E inicia ela a expor um monólogo sem nexo
De língua monóica ou assexuada,
Tendo por intelecutor o cão de feições humanas
Que ouve o homem
De caninas feições a beira de um balcão.
"Mais Jhony Walker, por favor!
Pode misturar com absinto e cachaça?
Obrigado!" - em educação fingida.
Quem sabe seria
Mais feliz
Se toda a minha vida de personagem de ficção mal escrita
Fosse beber atrás de um balcão;
Bebe-la como a inconsciência de todos os mortos em todos os tempos.
Bebe-la como a inconsciência de meu estado em estado bruto.
Bebe-la até mandar a lucidez para onde vão todos os filhos de meretrizes.
Bebe-la loucamente como tem pressa
Dum orgasmo frio entre si e a bebida.
Como um verme no lombo dum cão qualquer e sem dono,
Que se esconde do frio, da chuva, e das gentes
Debaixo dum caixote das aparências
E de sorrisos sem verdade
Dados como os panfletos de políticos
Com o qual enfeitamos e recapiamos as ruas dos grandes chiqueiros.
Eu esqueceria
O Absinto.
Eu esqueceria Johny Walker,
E defloraria
A virgem e santíssima e barata
Garrafa de Água-Benta-Ardente,
Padroeira dos cansados de lucidez,
Que desceria santificando-me a garganta,
E depois subiria ungido-me as pestanas com o seu santo espírito.
E lhe faria juras de amor eterno
Como o sacristão apaixonado pela santa no altar
Que num gesto de erotismo há muito contido
Beija-lhe a boca
E sente raiva dos desígnios divinos.
Depois dormiria como um anjo de São Tomé
Pendurado na parede de um boteco sujo.
Repetiria incessantemente "Porra!", só por achar graça,
E riria de coisa alguma
Num mostrar dos dentes sincero e sem lucidez.
E me jogariam em qualquer canto
Como o lixo indesejável e inútil
Que somado a todos sou.
E tudo isso ser o consolo no qual choro a vida.
Ao menos, o não estar lúcido.
Ao menos, o não pensar nas coisas.
Ao menos o piléque e a embriaguez:
A bebedeira, messias redentor de nossas almas
Sociais, e que dizem Amém socialmente ao copo redentor.
E depois de todo este cansaço existencial de vida onírica
E sem satisfações reais,
Depois de todas as baladas,
De todos os bares,
De todos os motéis,
De todas as pernas de putas -
Em passo rápido e rebolado na minha consciência que lhes serve de passeio -
Entre as quais estive.
Depois de todas as garrafas,
Com as quais me deitei como namoradas de uma noite só,
De Walker, de Absinto, de cachaça...
O descanço... enfim:
A morte tão merecida
( Dos que não existem ).
Poema de: Frank Leber.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
5:01 PM
6.7.05
Folha Seca ao Vento
Por que levam meus versos a sério?
Não me levem à sério
Quando não sou ou não quero
Ser sério.
Às vezes, quero ser só mistério
Ou
Derrubar impérios não constituídos do sentir
E construir outros.
Raramente sou sério quando falo dos sentimentos que não tenho:
É só poesia,
Coisa sem valor,
Coisa de fingidor
Que finge até a dor
Que em algum momento
Deveras teve
( Mas que lêem
São as que têm
E não a que teve )
E depois foi soprada,
Jogada para lado:
Folha seca a rolar no ar sem destino
No inverno
Quando um passante passa
Com um olhar sério para a folha,
Que por não ser gente,
Não tem seriedade nenhuma...
A folha seca ao vento,
Não ri,
Não chora,
Não implora,
Não ama,
Não pensa,
Não sente,
Não................................
Ao soprar do vento
Cai sem interpretação nenhuma,
E todo o lirismo do movimento não é se não aquele que há em nós mesmos.
A Folha ao Vento
Cai
Sem contemplar nada disso;
Ela só cai. E a beleza que há nisto,
Para os que têm olhos metidos n'alma,
Não é se não aquela que trazemos na algibeira de dentro,
No peito esquerdo,
Ou no centro de emoções dentro de nossos crânios.
E folha torna-te o que fazemos dela
- Seriamente ou não...
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:07 AM
5.7.05
VENTOS ERRANTES ( PENSAMENTOS DE HOJE )
"O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de sí mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo." Jean-Paul Sartre
"Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois gênio, se calhar" Alváro de Campos ( Fernando Pessoa )
"Você não acha surpreendente o simples fato de o mundo existir?" Jostein Gaarder
"As pessoas que dizem que não entendem nada de arte são pessoas que se conhecem mal." Jostein Gaarder
"Existir significa criar a sua próprio vida" Jostein Gaarder
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
8:58 AM